A Importância
de softwares educativos para autistas
GOMES, Alice Neves, Designer
Gráfica, Universidade Federal do Amazonas
SILVA, Claudete Barbosa da, Mestra em
Engenharia de Produção, Universidade Federal do Amazonas
A criação de um software para a Educação Especial envolve aspectos
funcionais e interfaciais. O termo interface pode ser definido, segundo Campos
(1999), como “dispositivo que garante a comunicação entre dois sistemas
informáticos distintos ou um sistema informático e uma rede de comunicação”, é
um diálogo que permite o retorno de informações do sistema. A interface deve
tornar as operações satisfatórias e eficientes para o usuário.
Para que o software não seja somente objeto de estudo em si, é
preciso primeiramente conhecer o seu público-alvo e projetar de acordo com suas
necessidades de interface, considerando limites e aptidões. A sua efetivação
depende de diversas áreas, dentre as quais a teoria da mente. Neste aspecto,
consideram-se os autistas como possuidores de um déficit na capacidade de
estabelecer representações diferentes dos estados mentais das outras pessoas
(Happé, 1998).
A aplicação do termo Teoria da Mente assevera que o transtorno
psicológico básico do autismo é um déficit no desenvolvimento da teoria da
mente, ou seja, na capacidade de predizer relações entre estados externos e estados
internos (Cuxart, 2000). Teoria da Mente é a capacidade de atribuir estados
mentais a ele mesmo e a outras pessoas e dessa forma poder predizer o
comportamento dos outros a partir das suas crenças, desejos e intenções
representadas no estado mental (Howlin et al., 1999).
Dentre os softwares pesquisados encontra-se o “Descobrindo Emoções”
que é direcionado a crianças autistas do nível médio a moderado e trabalha a
teoria da mente. Busca a formação ou abstrações de sentimentos relacionados a
situações alheias. Em situação de uso do software, observou-se que o seu ponto
negativo pode estar na falta de espontaneidade das respostas, pois a cada
intervenção feita pela professora as crianças trocavam a resposta em uma
tentativa de "descobrir" o que era certo (Barth, 2004). Porém sua
interface é direta e de fácil navegação, utilizam-se somente os botões de
validação, o que o diferencia do próximo similar a ser explanado.
O “Tartalogo” é um software com um objeto gráfico representado por
uma tartaruga que é capaz de andar na tela deixando um rastro ou uma reta. É
executado por meio de comandos ditados pelo usuário, com nome seguido de um
numeral. É mais complexo que o software analisado anteriormente, pois requer da
criança o conhecimento de o quê a tartaruga é capaz de fazer, como ela deve
fazer para produzir uma figura na tela e de como instruí-la a fazer (passo a
passo). Para o público-alvo deste projeto seria quase inviável a utilização desta
metodologia, pois seria difícil e extenso demais o processo de execução.
Utiliza ícones que dificultam a assimilação da criança autista, uma vez que
para elas tudo é concreto, não existe a representação fantasiosa.
Um outro software avaliado é voltado ao aprendizado de crianças
com a Síndrome de Down. Este modelo foi desenvolvido no programa Delphi 7.0 e
engloba atividades de português, matemática, jogos, internet, agenda pessoal e
pintura. Utiliza som e imagens ao mesmo tempo, o que facilita muito na
assimilação das informações e atrai a atenção. O espaço na tela é composto
unicamente por imagens e títulos ou frases, tornando a usabilidade acessível.
Todavia não há preocupação com ergonomia na aplicação de cores, não há padrão
entre as imagens. Os planos de fundo são agressivos e irritantes e estabelece
certo tempo de uso. O autista perde o interesse por aquilo que faz muito
rápido, demonstra irritação por som ou qualquer elemento que se torne
exagerado.
Os softwares analisados fazem uso de imagens, sons e animações com
o objetivo de facilitar a identificação do conteúdo, trabalhando com atividades
interativas para que os alunos desenvolvam a memorização e coordenação motora.
Integra, ainda, inteligência artificial e teorias de aprendizagem para
estimular o desenvolvimento do raciocínio e a capacidade para resolver
problemas.
Essas informações deverão ser aplicadas na construção no novo
software e, posteriormente, testadas para a verificação de sua funcionalidade.
Para isso é interessante se buscar uma maior interatividade com o público alvo e
colher informações mais precisas a respeito do comportamento do autista em seu
ambiente escolar.
Links relacionados:http://www.revistaautismo.com.br/edic-o-1/autismo-e-tecnologia
http://noticias.terra.com.br/educacao/jogo-brasileiro-ajuda-na-educacao-de-criancas-com-autismo,9e2b42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://noticias.terra.com.br/educacao/jogo-brasileiro-ajuda-na-educacao-de-criancas-com-autismo,9e2b42ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
“ Para a maioria das pessoas, a tecnologia
torna a vida mais fácil; para a pessoa
especial, a tecnologia torna as coisas
possíveis”.
Retirado de SANCHES (1991, p.121 )


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